Bingo é o mais sapeca dos filhos de Dona Bingona e Seu Bingão, um vira-lata de respeito, orgulhoso de sua linhagem. Curioso e traquinas, Bingo vive aprontando das suas e não quer saber de imitar os pais, como fazem seus irmãozinhos: em vez de farejar postes e perseguir automóveis, prefere fazer festas a todos os desconhecidos que passam pela rua e até para os cachorros vagabundos.

Seu Bingão começa a se preocupar... mas coisas piores estão para acontecer. Bingo faz amizade com um gato, cuja vida, maravilhosamente livre, ele admira. E, quando chega o dia em que o orgulhoso papai vai avaliar o primeiro latido da filharada, Bingo solta um sonoro MIAUU! É a vergonha da família e também dos donos da casa, que, desconcertados, chamam a carrocinha para levar embora aquela “aberração”.

No Canil Municipal, preso com outros desafortunados cães, Bingo sofre. Um dia, os cães planejam uma fuga, mas querem deixá-lo de lado — ninguém suporta um cachorro que mia. Os planos, porém, dão errado e apenas Bingo, confundido com um gato, consegue fugir. Quando os encarregados saem atrás dele, seu velho amigo gato aparece para salvá-lo, incentivando-o a pular o muro e ganhar os telhados. Vencendo seus próprios limites, Bingo fica livre. E nunca mais puderam encontrá-lo. Dizem que foi para uma terra onde é permitido ser diferente.

Este espetáculo incentiva o debate sobre as diferenças individuais e as dificuldades e recompensas de se procurar um caminho próprio e independente.

 

MARCELO KLABIN

Ator, diretor teatral e arte educador formado pela Escola de Arte Dramática ECA/USP. Possui estudos na Professional International Theatre School, em Londres, nas áreas de jogos teatrais e linguagem de Clown. Trabalhou como diretor em peças infanto-juvenis e participou de projetos com vários diretores, tais como: Celso Frateschi, Roberto Lage, Claudio Lucchesi, Luiz Damasceno, entre outros.